Beco da Carioca é reinaugurado em São José

Em desuso desde os anos 70, o Beco da Carioca se mistura à fundação da própria cidade. Foi a principal fonte de água potável dos josefenses lá nos idos de 1750. Virou um lavadouro público em 1840, com cisterna e torneiras. Nessa época, foram instaladas 14 pedras para bater a sujeira das roupas, trabalho realizado durante muito tempo por lavadeiras, escravas ou não.

Com o crescimento da cidade, a água da bica ficou poluída, as paredes acumularam limo e o local ficou sem sinalização, sem referências históricas e sem água. Segundo os moradores, acabou virando destino de usuários de drogas.

Em abril de 2017, a revitalização do Beco saiu do papel, quando a prefeitura de São José ganhou o apoio do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), do Ministério Público. O recurso, R$ 149.797,88, é fruto de condenações, multas e acordos judiciais e extrajudiciais. As obras começaram em outubro. Nesta segunda-feira, a reportagem esteve no beco para conversar com os moradores sobre a obra. Todos comemoraram, mas nem tudo era elogio.

Conforme a superintendente da Fundação Municipal de Cultura e Turismo, Joice Porto, a prefeitura está produzindo um estudo técnico junto à Casan para descobrir se é possível devolver à potabilidade à bica. No entanto, conforme Joice, trata-se de um processo lento e não há prazo para a conclusão do estudo.

A gente conversou com a própria comunidade para eles se sentirem parte do Beco da Carioca, também ajudarem a cuidar. Claro, além da Guarda Municipal, que vai fazer o monitoramento diário. E provavelmente serão instaladas câmeras de segurança ali.

A cerimônia de revitalização acontece às 17h. Além de autoridades, participará do evento a centenária dona Alcina Conceição, descendente de escravos e única lavadora da bica ainda viva.

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